corri por viajantes da noite
julguei simulacros de segredo
corri por viajantes da noite
por passageiros da morte
incendiários da sorte
dormi nas ruas escuras de frio
vesti o ser despi o vazio
amei madonas rubras com cio
na água turva do rio
luares de fio a pavio
usei uma fivela de lume
para abraçar um queixume
feito de cinza e ciúme
fumei umas 10 beatas com flauta
dancei com a cigarra da malta
troquei o topo pela falta
a mim ninguém me cala o enjoo
de ser certinho errado e até tolo
ouvir rugir os ecos do som
que são as vestes do tom
que desatina este clã
o bardo a razão a cantiga
o cardo a prisão a amiga
o fim a morte certa no fim
as vozes certas no fim
as doses certas no fim
a mim ninguém me cala a garganta
a mim ninguém sacode da manta
eu sou o demo e a santa
de resto a razão que se explique
porque é que o silêncio existe
porque é que o mar revolto insiste
[amei os viajantes do sexo
troquei orgasmos nulos sem nexo
jantei nas alcateias d’horror
nas trepadeiras sem flor
nos vãos mistérios do amor]

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