Friday, February 11, 2005

corri por viajantes da noite

passei por romarias de credo
julguei simulacros de segredo
corri por viajantes da noite
por passageiros da morte
incendiários da sorte

dormi nas ruas escuras de frio
vesti o ser despi o vazio
amei madonas rubras com cio
na água turva do rio
luares de fio a pavio

usei uma fivela de lume
para abraçar um queixume
feito de cinza e ciúme

fumei umas 10 beatas com flauta
dancei com a cigarra da malta
troquei o topo pela falta

a mim ninguém me cala o enjoo
de ser certinho errado e até tolo
ouvir rugir os ecos do som
que são as vestes do tom
que desatina este clã

o bardo a razão a cantiga
o cardo a prisão a amiga
o fim a morte certa no fim
as vozes certas no fim
as doses certas no fim

a mim ninguém me cala a garganta
a mim ninguém sacode da manta
eu sou o demo e a santa

de resto a razão que se explique
porque é que o silêncio existe
porque é que o mar revolto insiste

[amei os viajantes do sexo
troquei orgasmos nulos sem nexo
jantei nas alcateias d’horror
nas trepadeiras sem flor
nos vãos mistérios do amor]

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