Friday, February 04, 2005

Desaprendo o ser pouco a pouco
No reboliço das gáveas
no ultraje das atitudes
este sem parar de mágoas
e desvirtudes

Uma canção faz-se de nós
de teias desembainhadas ao subterfúgio
de querelas e vielas e outras vozes
de retumbares abertos de refúgio

Nunca um momento é um documento
do registo só resiste a memória
tanto registo é impreciso
tanto momento é sinistro
em que quarto persiste a glória?

Há quantos dias não escrevo um poema
há quantos dias não dou espaço à voz
há quantos dias desentendo a sós
a alegria das prosas ou os dilemas

nesta lonjura alta de estar tão só
oriundo das vozes e nelas rarefeito
nesta angústia que me tisna de imperfeito
que num momento é aura e noutro pó.

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