Para uma música perdida
no tempo do vento e do escuro
vivia com seus gatos
num casarão sombrio de tudo
Agrilhoado na sorte
atormentado no canto
o seu corpo tugia
mas não saía do pranto
Por entre os cacos de raiva
enovelados de tédio
tudo o que lhe restava
era uma garrafinha de ódio
Mas na morbidez da clausura
uma voz do fundo dizia
que a noite da loucura
traria cor à luz do dia
Certa noite subiu ao sótão
abriu o baú dos seus medos
e encontrou lá dentro
o maior de todos os segredos
Um pergaminho de lua
e uma gota de estrela
do sol um caracol
do mar o lume numa vela
No meio das descobertas
abertas portas batidas
detrás das portas certas
abertas estavam outras vidas
Incêndios de ouro e de lava
Magias de céus de incenso
Gemidos de prazer
e corações de fogo intenso
Com uma sacola pintada
e uma viola despida
partiu pla estrada fora
à boleia pra outra vida

1 Comments:
melados, ardentes e suculentos
os corpos erguem-se na multidão
como vozes que reinam ao som do vento
inertes como a própria escuridão
dr decacencia
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