Sózinho ao balcão da tasca da esquina
com a dor e a paixão intrínseca
ao demolir de vidas e ao romper doutras.
A mesma história cruzada de tantas estórias.
Parto sempre para um novo universo
mesmo sabendo esse que me habita
nunca mudará
camaleão transgressor de mim próprio
ou eu próprio transgredido pelos sucalcos
da sua etapa
viagem de tempestades, oásis, paisagens
encantadoras, desertos
Onde não me privo da paixão
ela acontece.
Há sangria nesta casa
como de sangria são feitos os meus sonhos desfeitos
nenhum chega ao fim
e todos têm um fim e um novo recomeço
nessa caminhada que quis de estrada
mas acontece de sabores e novos amores
num périplo errante que não conheço
e nem sei se mereço
ou transpareço
mas teço.
Desvanecem-se os quadros
e surgem outros
laivos outros de outros pincéis
pinceladas pinceladas em telas mutantes
e constantes feiticeiras
no lado esquerdo de um lado esquerdo
qualquer
de uma janela em construção
como um tijolo que serve de massa
à obra do lado esquerdo
que em nenhum lado esquerdo acaba
desse lado esquerdo que nem existe
a não ser na imaterialidade do
pensamento e sentir
Desvanecem-se os quadros e surgem outros
outros quadros outras vagas
outros lugares vagos por preencher
outros cantos vagos no lado esquerdo
que é onde mora o coração que escrevo
escreve não fala escreve
o coração não perco
e assim que o cedo
existe mais um lado esquerdo a pedir-lhe
-- acontece!

1 Comments:
Ai a bela da Tasca da Esquina...
Inspira-nos a observar e a descrever
Descrever sentimentos, pessoas, espaços, lugares...
E acordamos quando alguém nos conhece e se senta.
Cidade Nova de Santo André... essa bela terra de opostos e contradições mas tão bela e pura...
Parabéns pelo blog :D
Kiss Kiss
Post a Comment
<< Home