pelo marulhar revolto que desenrola a vida
sento-me frente a ti
mergulho nas profundezas longínquas
do meu convés perdido
Tu que não adormeces
senhora dos segredos e das ondas
Nunca febril tarefa conheci
como a de querer pintar e não ser
a tinta das palavras
agarra-se-me ao pincel e seca
antes mesmo que toque a tela
Fico impotente
sem a voz da corrente
seco por dentro
e por fora o texto
não acontece
Noutros momentos abre-se
uma porta e ali outra
janela quem quer ver
a luz está a tempo
É um remoínho de pensamentos
atiram-se ao papel
esfaimados da saudade
libertos da opressão
muda os amordaçara
Deixam chover suas vestes
de gatafunhos querendo
ser corpo
de ideias sem dono
tentando articular-se
fazendo jus à razão
do acto de escrever
Mas se o poema não sai
fica só a dor
e o rasto esquecido de quem não vai

0 Comments:
Post a Comment
<< Home