Friday, May 27, 2005
Entro no espaço nocturno, na intermitência das cores de luz no escuro.
Reencontro o tumulto da cidade dos muitos corpos que se entrechocam e procuram multidão.
Troco os olhares dos muitos olhos cúmplices nessa ânsia de confronto e confusão.
Tal qual pé na urbe a sede de ver olhos e corpos, movimentos individuais transformados em massa que bole e não para.
'Uma inconstância de todos em vibração' extravasando as energias e os stresses contidos pla rotina avassaladora das vidas que pedem mais.
Soberba essa viagem incontinente que prolifera e contagia, desenvolve e resiste até ao cais dos esforços, da noite, dos desenlaces.
Orgia empática de isolamentos, conforto próprio, engate. A solidão no tumulto da cidade transposta a uma caixa fechada transbordando sons e fumo.
Exercício, transfiguração, atitude e movimento, suor e saliva, líquidos, pele.
Thursday, May 26, 2005
Londres e Reading ficavam a um par de horas de distância quando os pés pisaram Lisboa. Cabeça cheia, sentidos atordoados vivendo ainda as maiores emoções passadas. Toda a gente era pouca e a integridade dos aspectos lusos chocava com os olhos atestando que, apesar da ausência, nada tinha mudado.
Lisboa ficava depois a mais horas de distância de Santandread. O espaço vazio, a falta de gentio, a sede da confusão, a ânsia dos concertos. Andar sem razão, incansavelmente gastando as energias, a adrenalina acumulada.
O pântano, as areias pantanosas, movediças fazendo aluir com o passar dos dias. A calma, a inquebrável monotonia dos dias que se cansam em si próprios, as caras de sempre, os mesmos fatos, as mesmas ruas, as mesmas conversas.
Para lá das nuvens e do oceano ainda a memória dos sons e dos ambientes, ainda a torrente de imagens novas que avassalaram sentimentos, incendiaram emoções, abriram mais janelas e espalharam mais pedaços pela sala.
Thursday, May 19, 2005
O meu silêncio é o mar sem fogo
a revolta à espreita em cada esgar
o pano amarrotado numa só cor
Salivo sílabas que não conecto
o olhar espraia-se longe de tudo e mais de si
O iodo submerge e só a areia fica
vai ali mas volta
ele volta sempre
a revolta à espreita em cada esgar
o pano amarrotado numa só cor
Salivo sílabas que não conecto
o olhar espraia-se longe de tudo e mais de si
O iodo submerge e só a areia fica
vai ali mas volta
ele volta sempre
Wednesday, May 18, 2005
O silêncio do papel
esse, já eu o conheço.
A folha em branco que se senta
junto a mim e fica
a olhar-me, olhos nos olhos,
ou me catrapisca por detrás
do piscar do meu bolso ansiando
um sinal um gesto um gatafunho
essa conheço eu bem.
O que me perturba é o silêncio
que de mim sobra aquele
que em mim reside e
prolonga-se o silêncio da palavra no espaço
do verso que não chega
a acontecer.
Tempo do tempo que lhe é dado
tempo no tempo que a si concede
laivo de graça ou de agitação
brisa de iodo ou penosa busca.
esse, já eu o conheço.
A folha em branco que se senta
junto a mim e fica
a olhar-me, olhos nos olhos,
ou me catrapisca por detrás
do piscar do meu bolso ansiando
um sinal um gesto um gatafunho
essa conheço eu bem.
O que me perturba é o silêncio
que de mim sobra aquele
que em mim reside e
prolonga-se o silêncio da palavra no espaço
do verso que não chega
a acontecer.
Tempo do tempo que lhe é dado
tempo no tempo que a si concede
laivo de graça ou de agitação
brisa de iodo ou penosa busca.
Saturday, May 14, 2005
A MESA VAZIA ESPERA O PRATO QUE EU VOU COMER
POVÔO A BOCA DE AZEITONAS SABEM MAL MAS COMO-AS
A DIGESTÃO ENFADA-ME BEBO CERVEJA PARA A ENGANAR
ROMPO AS NUVENS QUANDO DOU POR MIM A FALAR
SEM CONTER SEQUER AS LÁGRIMAS AO MEU LADO A RASTEJAR
DOU PALAVRAS ÀS PALAVRAS PRA MELHOR PODER CANTAR
O SILÊNCIO É O FIO NO QUAL VAMOS RASTEJAR
SOU CRIANÇA E NESTA ANDANÇA SOU SELVAGEM QUERO AMAR
CONHECER O TUDO E TODO E ENFIM DESABROCHAR
O SILÊNCIO É O FIO DO QUAL VAMOS ESCORREGAR
POVÔO A BOCA DE AZEITONAS SABEM MAL MAS COMO-AS
A DIGESTÃO ENFADA-ME BEBO CERVEJA PARA A ENGANAR
ROMPO AS NUVENS QUANDO DOU POR MIM A FALAR
SEM CONTER SEQUER AS LÁGRIMAS AO MEU LADO A RASTEJAR
DOU PALAVRAS ÀS PALAVRAS PRA MELHOR PODER CANTAR
O SILÊNCIO É O FIO NO QUAL VAMOS RASTEJAR
SOU CRIANÇA E NESTA ANDANÇA SOU SELVAGEM QUERO AMAR
CONHECER O TUDO E TODO E ENFIM DESABROCHAR
O SILÊNCIO É O FIO DO QUAL VAMOS ESCORREGAR
Thursday, May 05, 2005
eu sou da idade da noite
das musas sem condão
dos fados sem refrão
do choro sem alarido
sou das trevas e das teias
das distantes cassiopeias
do lamúrio do canto
das sereias
das musas sem condão
dos fados sem refrão
do choro sem alarido
sou das trevas e das teias
das distantes cassiopeias
do lamúrio do canto
das sereias

