Em que tempo vivemos?
Numa época em que os jovens optam pela hipnose da música de dança sem mensagem, ultra repetitiva
Numa época em que crescer para ser grande representa obter um diploma, qualquer um desde que seja um diploma, mesmo que não vá de encontro ao talento individual de cada um
Numa época em que os ideais não vão mais longe que a realização financeira e material
Nesta época, revolvo-me eu em contorções e esgares possesso pelo meu íntimo que me impede de normalizar-me e caminhar sossegado por entre as gentes com a viagem quase assegurada.
Nunca chego a embarcar completamente nem a ficar no mesmo sítio.
Mas o sofrimento cresce, a dor desenvolve e os dias não se vislumbram melhores após os sacrifícios.
Sou malfadado ou mal me fado?
Sou mal dito, mal me dizem ou mal me digo?
Sou omisso ou cobiço?
Sem resposta não desisto nesta caminhada cega.
Pouca glória, muita queda.
Erros idos, repetidos, mas a força subsiste e o alor me segreda que existe, vez em quando, o rumor dos seus lábios diz:
'- RESISTE.'
E sem ele eu vivo triste, ele a causa e o efeito do meu real despiste.
Os dias passam e as famílias são educadas a telenovelas e programas sensacionalistas ou sentimentais.
Os putos vão deixando entranhar nos ossos músicas que repetem insistentemente o mesmo ritmo e as mesmas frases.
Enquanto o povo se entretém, eles, os senhores do poder, das decisões, vão mexendo as suas peças, longe dos olhos comuns, preparando-lhes o caminho que sirva os interesses do jogo e, portanto, deles, os jogadores.
Nós não somos, visivelmente, a revolução mas precisamos dela e de mais gente acordada.
30.novembro.1994
e agora? 18.junho.2005

1 Comments:
É teu Zé, só podia ser teu...
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