Monday, October 24, 2005

Deixei-me guiar guiado
fraqueza desesperado
o cilindro avança oco
e eu cá dentro como um louco
estrebucho desencantado
o que faço sabe a pouco
busco em vão de cada lado
a saída deste fado
que se cola a mim caduco
Peço ajuda às alminhas
que encontro pobrezinhas
fora da realidade
por não querer mais ladainhas
confundo-as com as minhas
na procura da verdade
ausente e sem idade.

Thursday, October 13, 2005

Chegou o tempo da dor
O meu olhar é segredo
e ardor só o do teu
que desfere em mim sinais

Chegou o tempo amor
de te perder com o medo
de perder-te prós demais

Só tu e eu esta noite
vamos pintar arraiais
Só tu e eu nesta noite
como em nenhuma jamais
Só tu e eu nesta noite
resguardados dos chacais

Só tu e eu esta noite
como em nenhuma jamais

Chegou o tempo da dor
O meu olhar quase a medo
procura no teu pouco mais
que o teu silêncio segredo
revela já por demais

Chegou o tempo e o calor
das aventuras que tais

Só tu e eu esta noite
vamos estoirar ideais
Só tu e eu esta noite
de pensamentos brutais
Só tu e eu nesta noite
como outra noite jamais
Só tu e eu e esta noite
de decididos finais

Friday, October 07, 2005

No teu corpo eu componho as sinfonias do teu sexo
Nele acordo nele me ausento nele embarco no teu excesso

No teu corpo eu decifro as melodias do teu sexo
Nele reinvento nele persisto nele viajo nele sem nexo

No teu corpo eu me aventuro nas magias do teu sexo
Nele aposto nele conquisto nele exploro o mais convexo

No teu corpo eu extasio nas orgias no teu sexo
Nele me venho nele me fico nele me passo a teu reflexo

No teu corpo eu introduzo a energia do meu sexo
Nele batalho nele mergulho nele volteio nele ejecto

Saturday, October 01, 2005

Todos os dias escrevo um poema
mais parado ou mais mexido
mais bizarro ou (in)compreendido
mais espalhado ou mais contido

Pode ser em verso
em linhas que se alongam de escrita em prosa
nascer da maré do vento
do trabalho dedicado duma grosa
com dosagens de alquimista
de cor de sonho e som de rosa

Todos os dias escrevo um poema
de endereço conhecido
és tu sempre o seu dilema
o meu tema preferido

Para torná-lo verdade
chego a pesar de hora a hora
os ritmos e as palavras que anseio
terem dom de serem tora
do amor que premeio

Todos os dias és tu o poema
Todos os dias o reponho
Todos os dias sei que amas
Todos os dias sei que sonho


(E não sendo assim talvez
o basso e lerdo cansaço
chegasse um dia à vazia
e certa monotonia
que rouba à paixão a poesia
e leva o amor ao fracasso)
plosanimais