Tuesday, November 22, 2005

Quando o meu mar não caiar mais as derrotas
com a tinta ténue do vento
erguerei dos destroços
uma pena perdida do pombo
e cantarei com ela
os desenhos desta voz calada

Wednesday, November 16, 2005

Num canto disperso entre tantos
abri outra vez a janela ao olhar.
Avistei paisagens de verde clorófilo vivo
florestas densas em serras ancestrais
gentes outras arquitecturas distantes
rios desconhecidos ribeiros incertos
costas dissertantes mas não parti.
Quedei-me sonhando sentado pelas esplanadas
à espera de passar musa minha
ou travo de conversa.
Vagueei pelas praias do meu mundo
onde me prostei ao sol e escrevi
e ouvi o rumor das ondas
o eco do cocktail de vozes humanas
infantis.
Em tudo um assomo de solidão
uma fome de alma gémea
um vazio de comunicação
a ausência da paixão.
Falta-me um silício
uma seta
uma anuência ao olhar
um ponto de partida e a revolta
o retorno e nova ida
um rio sem precipício por foz
uma linha sem fim por início
plosanimais