são toda a clausura
que em mim comprometo.
São os medos o soneto
da mais triste desventura
perseguida e lacerada
repetida adulterada
aflorando a dor no peito
que não mais se põe direito.
São as caras de pequeno
essas caras - o meu demo
as raízes entrepostas
os princípios feitos ostras
de mim guardam que conheço
quando exposto a tais bostas
e no seu jogo pereço.
Os meus medos da loucura
e a ânsia toda dela
os fantasmas noite escura
que me chamam à janela.
O querer ser tudo o mais
e o ficar mal sem o ter
ser jornal e ler jograis
e acordar ainda a ler.
Acordado quero-me turvo
numa estrada rectilínea, eu curvo
mas imposto a um papel
todo eu lhe visto a pele
faço tudo o que não sou
sou actor actor não sou
sou uma linha de cordel
ponta por onde o rapel
risque a corda e o nível
e o novelo se esqueça dele
pra cair em sobressalto
lá do ponto bem mais alto
e ousado tenha medo
do seu tão próprio segredo.

2 Comments:
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A alma que nunca cansa de sentir ou sonhar
A alma que padece da doença de encantar...
Num canto escuro há sempre a hipótese de voltar a amar
(ou n)
kiss
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